PARA TI MARILIA
(SALVÉ O 30/12/2011)
Quando os meus olhos com olhos de ver te olham
Quando do belo que há em ti se embriagam
Do arquitecto do universo furtaram a inspiração
E de vera transmutação ganham a consciência.
Nesse instante que é de enlevo
Temo da sanidade a demência
Mas é mais forte de bom senso
O lírio do encantamento
Esse que me faz segura a mente.
É da cor da púrpura o amor com que te amo
Levando em seu seio ânsias do para sempre
Os acordes com que escuto a tua voz
São meteoros, acordes da lira
Em que dedilho o canto que te canto
Convite a ocultar com etéreo manto
A beleza que não desejo oculta
Obra que do divinal traço tem indelével marca
E do despertar da aurora
As cores que traz em si, mansas
Aos sons dos acordes da imortal lira
É diferente hoje o canto que te canto
Outro o Estro da voz que ecoa
De idílicos sons lídimo apanágio
Que deveras só o amor inunda.
É que neste dia aconteceu história
De que o inconsciente guarda a memória
Fonte de alegria, encanto e emoção.
Antonius
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
terça-feira, 11 de outubro de 2011
QUANDO SE NOS ABREM OS OLHOS
Neste instante
Neste preciso instante
Está a acontecer em mim
O milagre de te ver
E ao sentir o milagre
Ao dele tomar nos punhos
A consciência
Senti arrasar-me o remorso
Sentimento amargo
Que nos faz recuar no tempo
Mas não mais que no tempo
No azedume do imponderado
Da distracção sem retorno.
Ao ver-te assim tão linda
No deleite do teu encanto
Considerei o tempo perdido
Tempo que todos perdemos
Distraídas criaturas que somos.
Proíbo-me de descurá-lo já amanhã
Fazer dele coisa vã
Exijo de mim fundo despertar
Ao mais belo
Ao mais apetecível
Ao mais suculento dos frutos
Esse que do Amor furta o nome
Antonius
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Quando o Amor é Magma
Amo-te até à exaustão
E tão sinceramente
Que sinto acesa na mente
Indómita sede de união.
No esconso do meu sonhar
Há eterna fome de dar
Bem mais do que receber
Porque o amor não tem medidas
Se as tem foram vencidas
Por aquele que sabe amar
O amor em mim é madrugada
É réstia de tempo alada
É queda de água nascente
A falar-me do Principio
Do amor fecundado
E no eterno feminino calor
Saído à luz do dia
É ave que não tem asas
Mas esquilo capaz de voar
Com a alma te devorar
Amar é dar a mão
Matar a sede na união
É mais dar que receber
É a lava ser do vulcão
Antonius
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
SOBERBA VISÃO
Adivinhei-te na silhueta
Que a luz da outra banda
Desenhava no azul poente
Na luminosa e radiante poeira
Que o núcleo de sol que se exauria
Emprestava à última réstia
Do esplendoroso Astro.
Mais do que reconhecer-te
Senti viva a tua presença
Nas cores da penumbra que te vestiam
No passo cadenciado
E de uma elegância sem limites
Só podia ser o teu,
No desenho que se estampava
Nesse azul que se esbatia
E apontava já para a noite.
Mas esse desenho
Falava-me do belo
Do belo feminino
Da beleza feita mulher
Das curvas soberbamente desenhadas
Obra-prima de mestre
Que só poderiam ser,
Sonhei ver-te deter o passo
Porventura deliciosamente
Prostrares-te diante de mim
Acordar-me para um mundo
Feito das coisas sublimes.
Mas como o sublime
Nunca se eterniza
Nesse instante que acreditei glorioso
Fez-se noite
E nem do céu as estrelas
Escutaram a minha prece.
Antonius
sábado, 23 de julho de 2011
ENCONTRO NA NOITE ESCURA
Escondido por trás da noite
Onde o vento se acoite
Longe do sol nascer
Estrelado estava o céu
Que a noite era de breu
Olhos não tinha para ver
Mas a noite me fascina
E não sei se é por sina
Tenho que a encarar
É nela que os meus intentos
Vitorias ou desalentos
Deveras vou confrontar
O que tinha dentro de mim
Aconselhava-me sim
A discreto ser no agir
Que o amor em mim arfava
Era força que animava
Intento que me movia
Procurei na noite escura
Esgotei-me até à secura
Já que na noite não via
Confiei na intuição
Em súplica pedi a mão
A quem me pudesse ajudar
Um anjo caído do céu
Retirando à noite o breu
Ofertou-me mulher amante
Reconquistado o amor
Colhi a mais bela flor
E num beijo lha ofertei
Ganhador me senti ser
Por ver que voltava a ver
A mulher que tanto amei
Antonius
terça-feira, 17 de maio de 2011
TU ÉS MELODIA
És o sol da minha vida
A estrela que me ilumina
Tu és a porta de entrada
No jardim que me anima
És sonho, és criatura
Néctar que me asfixia
És do humano a formosura
Estrela que ao criador se alia
És o sonho que eu sonhei
Desde que dei conta de mim
Aquele ente que abracei
Doirada peça de marfim
Se alta noite acontece
Por ventura eu despertar
Tudo que o mundo etéreo tece
Suspende o meu cotejar
É que algo de concreto
Acorda em mim sons dormentes
O mundo sedento de afectos
Tira de mim tons crescentes
A vida acorda em mim
Ao tocar-te lira amante
Tens cordas de cetim
És anelo delirante
A melodia que harpejo
De enlevo se reveste
É da harmonia ensejo
Doce cântico celeste
Antonius
sábado, 14 de maio de 2011
SAFIRA
És o meu desatino
Quando irrompes para mim
És esmeralda ouro fino
Do amor eterno hino
Cantata de arlequim
Deslumbras-me se te cotejo
O norte se perde em mim
Infinito tornado desejo
Feito etéreo o harpejo
És angélico querubim
Se nua por ventura te vejo
Ébrio sinto o meu existir
Ao mais alto te elejo
Roçar teus seios meu ensejo
Num eterno perseguir
O teu corpo me abrasa
Se de meu ego se acerca
És fogo telúrica chama
Que num instante se inflama
Tornado divinal oferta
Antonius
domingo, 10 de abril de 2011
NO DESPERTAR DO AMOR
À se me lembro mulher
Desse instante remoto em que me solto
E liberto de asfixiante carapaça
Feita de incontáveis e contidos impulsos
Pela primeira vez em ânsias
Deslizo sedento e sonhador
Sobre o teu corpo ululante
Vagos gemidos se anunciando
Para em dádiva desinteressada
Àquele que tanto e tanto te sonhou
Te dares nas primícias do amor
Ah como te sinto ainda ofegante
Num imperecível descontrolo
Ah como me afundo em ti
Cuidando atingir o inatingível
Como premindo as teclas do teu dorso
Que te comprimem até à medula
Como mergulhando-me em ti
Quase perco o sentido do eu
Afogando-me num fogo não sonhado
Imolando-me no calor escaldante
Feito de indizível amor
Antonius
Desse instante remoto em que me solto
E liberto de asfixiante carapaça
Feita de incontáveis e contidos impulsos
Pela primeira vez em ânsias
Deslizo sedento e sonhador
Sobre o teu corpo ululante
Vagos gemidos se anunciando
Para em dádiva desinteressada
Àquele que tanto e tanto te sonhou
Te dares nas primícias do amor
Ah como te sinto ainda ofegante
Num imperecível descontrolo
Ah como me afundo em ti
Cuidando atingir o inatingível
Como premindo as teclas do teu dorso
Que te comprimem até à medula
Como mergulhando-me em ti
Quase perco o sentido do eu
Afogando-me num fogo não sonhado
Imolando-me no calor escaldante
Feito de indizível amor
Antonius
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