Pensamento...

A vida é uma janela que se abre no sem fim do Tempo.
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domingo, 13 de novembro de 2011

LUZ QUE NÃO SE APAGA





-Proíbo-me de te não recordar

De te não ver tal qual és

Te não auscultar da fronte a lucidez

De te não adivinhar arguta a mente.

-Proíbo-me de não sentir teus passos

De te não ver no passo largo e másculo

De te não recordar o vibrante encanto

Na riqueza humana que jorrou de ti

-De esquecer o sensível que és, proíbo-me

Como de esquecer o belo que conheceste

Na arte na amizade e no amor estou certo

Que tempo tiveste para sentir de perto.

-Não me perdôo que um dia passe

Sem que pensar em ti passe também

Não consinto que em mim cesse

Esse Filho que foi para mim Alguém.

-Memória de ti guardarei sempre

Na busca perene da verdade

Pensar em ti é firmar na mente

A sede que há em mim de Eternidade.

Antonius


domingo, 18 de setembro de 2011

EM MEMÓRIA DE UM AMIGO





Se não fosse atentado ao bom senso
Daqueles que o conhecemos
Diríamos que o Quirino nos virou as costas
Ao deixar-nos nos caminhos desta vida
Mas a quem, saudoso colega
Na tua “avara” humanidade
Virarias tu algum dia as costas?

Nesta hora que nos agarra de surpresa
Perguntamo-nos ainda o que aconteceu.
Acontece que tu eras um colega especial
O amigo em quem podíamos confiar
O tesouro que habite a nossa alma

As horas de contacto humano foram muitas
Muitas as circunstâncias
Mas destacaríamos sobretudo
Aquelas em que o teu sentido de humor
Vinha à tona da água

Recentemente, num passeio aos Açores
Registamos palavras tuas
Que falaram do teu deslumbramento
Da espiritualidade que eras capaz de ver
No belo da natureza
Tão rica como na tua relação com os outros.

Nesta hora que é de sofrimento
Um mundo de palavras jorraria
Da boca de qualquer deste punhado de colegas
Que contigo tiveram a dita de privar

Mas para te honrarmos
Para exaltar as tuas qualidades humanas
Numa hora que é irrepetível
Não são precisas muitas palavras.

Dentro de nós fica o pensamento
Esse que tem asas e que voa
Um pensamento que nunca te esquece
Que nenhum Infinito detém
E que acreditamos aproximar-te
Da Entidade Criadora


Antonius

quinta-feira, 7 de julho de 2011

RECORDAR ISTAMBUL




Guardar-te-ei para sempre na retina
Cidade que és três vezes cidade
Ante tua grandeza, oh Istambul
Deteve-se o tempo
Que em aparente, absurdo advento
Impotente se mostrou em deter-te o passo.

Tu Istambul três vezes cidade
Memória guardas de Bizâncio e Constantino
Do remoto burgo guardas a saudade
Aos guardas do império empolgada cantas
As glorias e feitos em inspirado hino.

Em cálida noite de Junho me enfeitiçaste
Sob a luz de lua cheia esplendorosa
Portentosa aos olhos do homem te mostraste
Cidade meeira de três impérios
Que fronteira de dois mundos te tornaste.

Das tuas Mesquitas e Minaretes
Enternecedores cânticos chegam até mim
Em ressonâncias de lírica  oração
Neles te sinto o palpitar da alma
Inebriando-me o idílico do silêncio
Nas estrelas reflectindo a tua história.

Sinto-me abraçar-te oh Istambul
Nas entranhas de incontida emoção.

Antonius