Pensamento...

A vida é uma janela que se abre no sem fim do Tempo.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

E O TEMPO DETEVE-SE

E O TEMPO DETEVE-SE Prodígio hoje aconteceu E se prodígio não foi Algo de estranho brotou Do tudo de mim que eu sou. Falar em milagre será exorbitar Do trilho da lógica se desviar A cortina do saber querer transpor. O que aconteceu foi trivial Por não ir além Da quietude total Do pensar de sempre Do sempre dos homens Que algum dia ousaram Devassar a mácula do conhecimento Chocarem com a certeza Que só pelo essencial núcleo Lhes poderá algum dia Generosamente ser ofertada. Este instante aconteceu E de tal sorte evidente ele foi Que o sol no seu caminhar se deteve E o próprio tempo Inopinadamente parou.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

QUIÇÁ UM DIA

Hei-de um dia ser poeta
Ver o mundo com outros olhos
Escutá-lo com outros ouvidos
Arrancar dele uma nova alma
Revestida de novas cores
No arco-íris desvendadas
Com olhos de ver verei o mundo
Que o futuro me anuncia
E onde se espraiam garbosas
As correntes da esperança
Um mundo que valha a pena
Por deferência me merecer
Todo aquele com quem
A cada instante me cruzo.
Esse o mundo dos homens
Com que o meu eu profundo sonha
E pressinto escrito
Nesse futuro não fácil de sondar
Mas de que ausculto distante
Inebriante a melodia.
Antonius

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SAUDAÇÃO A UM AMIGO




Subir a alta montanha
É registo inscrito no teu caminhar.
Determinado, firme, seguro
Nele um passo mais acabas de dar
Sabemos árdua a caminhada
Que no horizonte sempre a cumeeira
Acreditamos que agreste e com escolhos
Mas nela os acordes de bela melodia
E de gole de cachaça a fantasia
Energizando o projectado sonho.
Quem assim caminha é um Homem
Porque transpõe a amargura
Porque agarra a alegria
Que os abrolhos e os frutos suculentos concilia
Porque a vida foi capaz de converter
Em estimulante sinfonia
Esse Homem foi às raízes da sabedoria.


Desta outra banda do Atlântico saudamos com o nosso abraço
O amigo, poeta e lídimo caminhante José Silveira
Sábio sorvedor do belo que a vida oferece

Antonius e Marília 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

DESNORTE


Nos céus deste Lusitano rincão

Pairam nuvens negras, cúmulos cerrados

A prenunciarem inclemente borrasca

Sendo ainda dia faz-se noite

Que o sol, esse fazedor de vida

Qual guardião dos dias de sempre

Parece prometer ao homem

Vergastada solene, merecido açoite.

Nos céus deste rincão velhinho

Parece ter o homem perdido o norte

Incapaz de seguir o seu destino

Feito um tornado em desatino

Reclama de outros a sua sorte.

Num passado glorioso fundeada a ancora

Rumou para a frente sempre altaneiro

Não consintamos nós, filhos deste tempo

Que espúria rajada de inusitados ventos

Leve a pique o sonho do Infante marinheiro

Antonius


quinta-feira, 28 de abril de 2011

CÂNTICO



Hoje eu canto a árvore
Esse milagre que se eleva
Das profundas da terra mãe
Insondável alquimia
A fez germinar
E decidida brotar
Da negritude do nada
Feita vida irradiante
Por escatológico poder
Também ele impenetrável
Certo é que frondosa
Se ergue em galhos
Que ousados
Rasgam as malhas do azul do céu.
A árvore toca-me
No mais fundo do meu ser
Porque logra de alguma maneira
Falar-me da essência do amor
Que mora por detrás
De todas as coisas
E se a sua robustez
Tem a marca do tempo
Eu venero-lhe a memória.
Daí que olhando hoje
As três viçosas árvores
De que os meus filhos
Há muito
Foram entusiastas plantadores
Eu ajoelho à natureza
Por ver nela emergir
Aquele Poder que tudo pode.

Antonius  
  

quarta-feira, 16 de março de 2011

MÃOS NA NOITE

Quando os meus dedos se soltam de mim
Em fulgurante frenesi
Adivinho-lhes o intento
E na busca que demandam
Há flores de idílico jardim

Soltos os meus dedos
De piano as teclas eles não buscam
Nunca por nunca coisa trivial
Subtil eles sobem as montanhas que há em ti
Na perene ânsia das alturas

A noite harmoniza-se com o sonho
Dos meus dedos que saíram de mim
Que a noite é alfobre do amor
Receptáculo de um sentir profundo
Que não é sempre que emerge

Nesta noite os meus dedo sequiosos
Esventradas do meu ser as raízes
Não buscam a melodia das cordas
Nem da lira sons melodiosos
Tão pouco da harpa as matrizes

O que buscam tensos ansiosos
É floresta que floresce em ti
É o curso de cascatas preciosas
Que o teu corpo em dádiva se oferece
À sede incontornável que há em mim.

Antonius

quarta-feira, 2 de março de 2011

FONTE DE EMOÇÕES





A música

Aquela que eu anelo

Essa que tange a raiz do meu ser

Tem ganas de me emocionar

Até às lágrimas

É prenúncio de aurora

Chega a ser

Tal como o amor

A voz de Deus

Que ressoa em mim

Antonius

terça-feira, 1 de março de 2011

AMOR EM RÉ MENOR

Sou uma nesga de tempo projectada no desmesurado do Tempo
Meteorito em noite de estrelas cadentes
Madrugada de um dia que muito longe se anuncia
Mergulho no mais fundo de mim rondando a morte
Constelação sem estrelas, dormente

Sou um pedaço de mim que rasgou o tempo
Por fresta aberta no inicial magma
Rajada de vento que num momento
Serenou, pacificou, sem perda do fôlego

Sou mais forte do que eu, eu sei que sou
As minhas contas ultrapassei há muito
Perguntando-me se vou, sem saber se vou
Atrevo-me por caminhos não percorridos
Mais que em coragem invisto na suave brisa

Deixei de ser pedaço desse tempo sem medidas
Inteiro passei a ser cioso da inteireza
Vislumbrei constelações ainda ocultas
Pressenti por detrás do inicial meteoro
Acesas, incandescentes brasas
Do em ré menor, eternamente buscado amor

Antonius

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eternos Laços

Há um sentir que eu sinto
Cá dentro, dentro de mim
É que cá dentro de mim
Oh Deuses
Há um sentir que eu sinto
Esse sopro vital
Tornado virginal arroubo
É tudo aquilo que sou
O que deveras quero ser
Fogo aceso se tornara no meu peito
Jardim das flores que mais anelo
Fogo que arde e que eu elejo
Palpitante razão do meu viver
Esse sentir que eu sinto
E às vezes me tira de mim
É raiz, é fonte
È sempre e sempre a ponte
Que no mais prendado fulgor
Me embrenha nos laços
Do teu Amor

Antonius

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PORQUE EXISTO

Eu vivo porque penso, porque vejo, porque amo
Eu vivo porque sinto, porque escuto, porque temo
Porque tudo isso acontece, de tudo isso faço uma prece
Assim estou seguro de que existo

Eu carrego dúvidas mil
Perguntas eu pergunto tantas
Às vezes penso-me senil
Escutando longes mantras

Às vezes pergunto-me até quando
Do tempo a fúria perdura
Na busca da verdade eu ando
Buscando o remédio que dê cura

Antonius

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Beleza no Feminino


És a Lira que desde sempre almejo
As cordas dedilhando em delírio
És Oboé, violino, sonhado Beijo
Dos jardins da minha música eterno hino

És compasso, canção és melodia
Egrégio fazedor de nobres artes
No teu génio fiel a alegoria
Nas mãos a sabedoria de Descartes

Em tuas cordas a mais bela sinfonia
Executo entre incrédulo e surpreso
Sentir teus acordes é pura magia
É sentir o amor em fogo, aceso

Olhar-te é ver claro obra acabada
É ver da mulher símbolo perfeito
É sentir que acima não há mais nada
Que o belo a fazer está já feito

sábado, 1 de janeiro de 2011

DIA ÚNICO

SALVÉ O DIA 30/12/2010




Dia Único

Não foi no tempo das colheitas, em Setembro
Que a tua vida deu ao tempo esplendor
Foi o mês dos cumes brancos, foi Dezembro
Nascido no presépio, feito Amor

Não foi no tempo da ridente mimosa
Sob a sanha do calor estival
Mas no tempo da neve esplendorosa
Essa quadra única que é Natal

Bem digo hoje esse dia distante
Em que teu ser aportou da vida ao cais
És pátria formosa, és galante
Por sorte da minha vida o arrais

Fruto sumarento de um pomar
Do Éden feito matriz inspirada
Prendado ao sentir-te assomar
À janela do meu tempo, mulher amada

Antonius

PS.: Poema dedicado a Olema, pelo seu aniversário


Construamos o Futuro

CONSTRUAMOS O FUTURO



Um ano se passou arrepiante
Patente nele a turbulência
De mãos dadas caminhemos avante
Mortal não será do tempo a inclemência

Lugar para o medo não se consente
De coragem investido o caminhar
Não é a besta nos homens latente
Que vai altos sonhos aviltar

De angústia o tempo que decorre
Não nos deixemos por ele soçobrar
A força do homem de honra não morre
Porque o bom senso, esse há-de imperar

Mas há muros que travam o passo
Obstáculos que urge derrubar
Do lídimo caminhar o embaraço
Pontes que é tempo de lançar

Endeusado vemos o dinheiro
Indomada fonte de corrupção
Basta de ver nele o intuito primeiro
Motivo para muitos da falta do pão

Não seja tempo avaro o que vivemos
Que em riste pode ser posta a lança
Avante firmemente caminhemos
Que o futuro tem de ser de Esperança

Antonius


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sou Filho De Um Sonho




Não, não mates os sonhos que há em mim
Não ouses derrubar aquele que sou
Pondera o gesto ameaçador
Aquele que oculta, que esconde
O punho cerrado, demolidor.
Não mates os sonhos que há em mim
Que eles são do tamanho do mundo
Espiral que não tem termo
E sítio ermo não busca, cobarde.
Olha-me nos olhos mas sem trave
Lê meus pensamentos sem alarde
Ausculta-me se fores capaz.
Atenta que sou filho de um sonho
Um sonho que foi grande
A conceder-me dignidade
Para que seja aquele que sou.
Não, não mates o meu sonhar

Antonius



Será que ainda é Natal


O natal é saudade
Júbilo de remota infância
De que o tempo
Esse fazedor de lembranças
Se fez inusitado portador.
Exorcizando os meus temores
Na velha cozinha ouso entrar
E dos sessenta anos decorridos
Chegam até mim inefáveis
Natalícios odores
Enquanto na lareira o fogo crepita
A chaminé é a do menino Jesus
Que há muito, abusivo,
O pai natal do seu trono depôs
O presépio adivinho-o no mesmo sitio de outrora
Ouço as vozes de antigamente
Sinto o natal no recôndito da alma
Naquilo que passou, naqueles que já não estão
Vertigem é este terno sentir
Que a verdade que de mim se apodera
Não passa hoje de quimera
De frenesi, consumidor bulício
Perdeu o espírito, coisificou-se
Será que entretanto o homem cresceu
Para que ainda haja Natal?

Antonius



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ETERNO RETORNO



















Anda, dá-me a tua mão

Faz exultar meu coração

Com o teu calor de há muito.

Anda, afasta o tempo

Antes que o tempo

Se faça hercúlea muralha

Acorda, faz deste momento

Esse outro remoto instante

Que cavalga no oposto.

Anda, escuta a minha prece

Olha que o amor não fenece

E esse calor que eu senti

Amorosamente

Queima-me ainda as mãos.

Antonius

CORCEL PACIFICADOR


Desavindo tem estado o tempo
Canícula, chuva, granizo a granel
Incontornável a força do vento
Tremida a própria torre de Babel

Nos céus desta terra há turbulência
Insegura a nave no Espaço
Nunca vista tanta inclemência
Que o bom senso mostra-se escasso

A nave poderosa vai lotada
Atirada aos céus com eficácia
Mas de tal modo na borrasca enleada
Que dela se exalam ventos de «desgracia»

Entretanto o bom senso se anuncia
Dando mostras de serenidade
À tomada de confiança se alia
A retoma da sabia verdade

Serenada a torre de Babel
Desliza tranquila a nave no Espaço
Apesar da borrasca ter sido a granel
A vontade do homem em brioso corcel
É portadora de pacificador laço.

Antonius

AQUELA NOITE

AQUELA NOITE

Ela vem ai eu sei
Não são os olhos do corpo que mo dizem
Mas aos da mente não passa indiferente
Ela vem ai, a noite
Sinistra impiedosa impante
Investida de poderes régios
Passo sereno, compassado
Mas cônscio determinado
Traz contrastante um camafeu na lapela
É verde esmeralda
Em contra-ponto com a túnica
Da cor da negritude
Por detrás do seu busto, deveras ténue
Um luzeiro se vislumbra
Como a forçar para a penumbra
Dantesca figura
Da noite que se adivinha.
Não, não é a noite de todos os dias
Não vem engalanada
Com constelações
Nem sete strelo nem Orion
Não deixa entrever a via láctea
E não trás lua que dê luar
De rotunda escuridão feita mar
É noite que não tem retorno
Que não reconsidera
Portadora de felina alma
Implacável fera
É a noite que se avizinha.


Antonius

A OUTRA METADE DE MIM























Tu és aquela que me apascenta
E mata a sede que há em mim
Tu és primícia, etéreo enlevo
Fonte primeira do ser
És cascata densa, em vertigem
Que se esconde nos mistérios da montanha.
Tu és o sonho que me acalenta
Mas às vezes desperta, enfim…
Áurea fonte que me dessedenta
Cristalina, nata nas profundas da terra
E emerge em tufos de alecrim
Tu és aquela que me arrebatas
No lusco-fusco da aurora
Epiderme da ternura que me envolve
Envolta em túnica de cetim
És lírio da montanha
Terra que o homem já não amanha
Apenas porque és
A outra metade de mim.

Antonius

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

QUANDO AS MÃOS SÃO ROSAS

 QUANDO MÃOS SÃO ROSAS


 
A natureza foi pródiga para contigo
Deu-te coisas que são rosas
Baixelas preciosas
Que proliferam entre espinhos
A natureza dotou-te
Com coisas mimosas
Feitas pedaços de ti
Que te conferem
Os poderes
De ouvir, ver e falar
De rir, chorar e até cantar
De ser feliz e amar
Enfim
Semeou rosas no teu jardim
Mas a natureza deu-te mais
Por ventura
Prosaicas aparentes coisas
Deu-te mãos
Imaginem mãos
Com estranhas protuberâncias
De uma maleabilidade infinita
Prodigiosas mãos te deu
Fontes de carícia sem fim
Tornadas também
Rosas do teu jardim
Porque capazes de realizarem
Coisas que nunca sonhaste
Coisas que há muito esqueceste    
Coisas para que já te não sobejou o tempo
Mas agora novos trunfos
Que te enchem os olhos de surpresa
Aos outros encantam
E me fazem acreditar
Que com as próprias mãos nós podemos
É nos dado o direito de sonhar.

Antónius