Pensamento...

A vida é uma janela que se abre no sem fim do Tempo.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

Será que Existes?

Oh Deus, porque não existes? É tão lindo este mundo, há nele tanta coisa preciosa! Há sentimentos, coisas que sentimos lá bem nas profundas da alma que nos estremecem, trazem até nós sentires inefáveis como esse a que chamamos Amor.
Este fala-nos numa linguagem muito própria, inatingível para a nossa inteligência mas que a nossa sensibilidade misteriosamente agarra e digere em delírios enternecedores que nos despertam o espírito e estremecem o corpo físico que nos acompanha.

No meio de tanto encantamento, como não existes oh Deus? Como vibra em nós esse sentimento fabuloso, inigualável, mas também outras sensibilidades que não têm preço, como a Amizade, apesar dos riscos de ser enganadora. Isto no que respeita ao nosso mundo interior e às efabulações da nossa mente. Mas oh Deus! Tu não existes apesar dos meus argumentos, mas há mais: há todo um mundo fantástico ao alcance daquilo a que chamamos sentidos e que alcançamos através dos nossos olhos, dos nossos ouvidos e de outros agentes físicos. É que com os olhos eu vejo a natureza, vejo os rios e as montanhas, as quedas de água, os desfiladeiros, os prados verdes e as árvores, esse milagre cresce e se torna frondoso e dá frutos que são delicias, tudo isto por obra e graça não sei de quê. E os meus ouvidos? Se os não tivesse ou por absurdo não funcionassem, eu não ouviria coisas maravilhosas, como o murmúrio das águas, o canto do rouxinol, a Tosca de Puccine, o alarido das crianças, a voz de uma mulher. Além disso, apesar de não existires, como pode oh Deus existir o sol, essa lua que sempre apaixonou os mortais.
Eu sei que há sofrimento também, e que tantas vezes tortura a alma. Eu conheço-o. Quase todos o conhecemos. Mas justamente porque ele existe, Tu devias existir, para aplacar os demónios que o injectam na vida dos homens.
Sinceramente, acho absurdo que não existas para que nós, pobres criaturas ignorantes víssemos lógica, entendêssemos o fantástico da vida e interpretássemos o porquê do sofrimento. Sabes uma coisa? Eu às vezes penso que Tu se calhar até existes, por aí escondido algures, atrás de um penedo no cocuruto de uma árvore, no cimo de uma montanha ou com mais lógica ainda, por detrás das estrelas. Só que escondido. Mas escondido porque? Pensando bem, talvez haja lógica nessa coisa de te ocultares aos olhos dos homens. O que seriam eles, o que seriamos nós se te víssemos, se estivesses ao nosso alcance? Acho que tenho que concluir que o homem só consegue ser homem às escuras, isto é, não Te vendo. No dia em que Te visse estaria chegado ao cume da montanha, teria acabado o tempo.
Sabes uma coisa? Às tantas Tu até existes, só que para nossa realização plena, fora do nosso alcance, apenas nos dando a chance de Te pressentirmos.

sábado, 12 de março de 2011

Tarde de Outono




Hoje neste fim de tarde outonal, em contra-ponto com a atitude de todos os dias, não estou distraído. Quero dizer que estou com os sentidos despertos, os olhos abertos, os ouvidos atentos, o cheiro a inalar fragrâncias, porventura odores desestimulantes, o paladar e o tacto em repouso mas predispostos a assumirem funções. Enfim, no que diz respeito à minha pessoa e ante aquele que sou, sinto-me inteiro.

Mas hoje, neste fim de tarde outonal, não me basta a funcionalidade dos cinco sentidos. Outras vozes, outros sons estranhos a mim mas de que sou espectador me preenchem, de alguma maneira me falam de mim. Falam-me em essência da experiência fantástica de estar vivo. Sobressai aquilo que os meus olhos vêem e os meus ouvidos escutam. Não sei qual mais importante embora até há pouco julgasse que sabia.

Hoje a esta hora deixo-me deslumbrar por aquilo a que chamamos natureza, que é feita de coisas mil. As andorinhas aglomeram-se nos fios eléctricos prontas a partir para outras longes terras, a folhagem atapeta já os campos e os caminhos, o sol prepara-se para desaparecer no horizonte, uma esguia nuvem a acompanhá-lo.
O sol vai-se embora, mas amanhã pela madrugada aí está ele, sempre fiel, a anunciar a sua presença. Como ainda é dia, a lua não passa de uma pequena nuvem redonda, mas que se vai iluminando na medida em que o sol caminha para outras terras, aquece outras gentes.

A terra, o sol, a lua, a estrela da noite (que é a mesma da manhã), que de engrenagem fantástica! Que de poder o do portentoso Acaso! Que de fecundo na diversidade dos frutos que nos prodigaliza! Mas como, Acaso? Não, eu não creio no Acaso. Mas esta engrenagem que nesta hora me prende todas as atenções teve um princípio. Quando e como?

Mas no meu encantamento eu distraí-me sem perdão. Perdi-me nas emoções, tantas que elas são e só agora vi o Amor mas, grande que ele é ofusca tudo o mais, a própria engrenagem cósmica que me arrebatou neste fim de tarde de Outono.

Antonius

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

RELANCE NA MADRUGADA

Vai alta a noite e o luar inunda as paredes azul anil do meu quarto. Óbvia sombra vai conquistando a parede do meu lado. É que do outro lado da minha cama, percorrido o lençol pela minha mão tacteante não encontra as teclas da cor do mel que cobriam o teu corpo ondulante, de quando em quando, sempre, vibrando no frémito do amor que outrora ambos conhecíamos, vivíamos, nos engolfava corpo com corpo, alma com alma, até ao êxtase, e repousando na merecida serenidade.
Enquanto assim vivo na lembrança, a sombra avança na parede do meu lado, que do outro lado não há ninguém. Ausência em cicatriz, num gesto violento arremesso o lençol que me cobre e a cobriria a ela, se ela houvesse e assomo num lanço à janela. Atiro os meus pensamentos ao largo num esforço de reformular os meus caminhos desta noite, tento aperceber-me de coisas novas, de algo por descobrir. Nesta noite fujo por medo do amor de nele centrar o meu pensar. Ergo o meu olhar e olho as estrelas e revejo a lua e noto que esta desde que há pouco acordei, andou, prosseguiu a sua rota, porventura rota milenar. As estrelas mudaram de sítio, a folhagem remexe. O dique o meu cão ladrou e deu uma corrida pelo quintal. Algo chamou a sua atenção que não a minha. Quer dizer que muita coisa mudou de sítio. Concluo que durante este pequeno espaço de tempo, justamente aconteceu tempo, o tempo andou. E o tempo andou porque as coisas mudaram de sítio, porque o cão correu, porque as folhas mexeram, porque ouvi já o canto de um cuco madrugador, porque a lua percorreu um espaço da esfera celeste. Neste pouco tempo aconteceu tempo. Mas eu tenho pressa em que o tempo aconteça e altere os meus dias, sobretudo as minhas noites e me dê oportunidade de estender o meu braço e encontrar as preciosas colinas, o delicioso fundego, o inenarrável encantamento da mulher que quero voltar a ter envolta em mim enlaçando-me, com quem preciosa harpa execute a mais bela melodia, o mais assombroso concerto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Perscrutando o Nirvana

Às vezes sinto-me no cume do Nirvana, ao limite do prescrito para o poder de ascender do homem. Nessas alturas infinitas estendo o olhar que se alarga para além das estrelas e se esgota na via láctea, por ventura em similar nebulosa.
Penso ter atingido o cósmico termo, mas algo me diz que esse termo não é mais do que um principio de uma nova jornada para o sem-fim do espaço. Recuo o meu olhar com algum desalento, regressando às alturas do outrora sonhado Nirvana. Atiro desta feita o meu olhar para as profundezas que se revestem de um manto da cor da neve. Lá longe, mas não tão longe como a rota das estrelas, eu vislumbro os prados verdes, lá no fundo, onde nascem as montanhas, onde foi semeado e brotou o núcleo do ansiado cume onde me imagino neste instante que passa.
Do cume deste Nirvana há muito sonhado mas só agora alcançado, domino o universo na esfera que o meu sentir constrói. Se esse mundo que a minha razão não entende me deslumbra e apela para a minha inteligência e me faz mergulhar na frescura da pradaria que atapeta a base da minha montanha e se cobre de lírios e da urze do monte, neste instante e num repente desço às alturas que são as minhas, ao mundo que é o meu e que abarco com os olhos com que a natureza me dotou. É que o êxtase teria que ter um fim.
Imperativo era regressar ao meu sitio e à minha condição de mera criatura humana.
Na simplicidade deste sitio há também grandeza e, bem vistas as coisas, há razões de encantamento. Aqui nesta pradaria neste pequeno grande mundo está deposto um passado que não tem preço, o meu passado, aqueles que, uns após outros levaram à construção daquele que, insignificante embora, hoje sou.
Chega até mim uma harmonia que me enche os olhos me impregna a alma e me apura os sentidos. Essa harmonia chega-me de um passado remoto, atravessa o tempo, realiza o maravilhoso que se me depara. Mas tudo se converte em melodia, em música, que não é para ser vista por os meus olhos , mas os meus ouvidos escutam e o meu sentir estremece e lágrimas me assomam aos olhos.
Neste instante, sim neste instante, estranha contradição, é-me dada a consciência da grandeza que mora na minha pessoa, na pessoa de cada criatura. Sinto-me mergulhado na mais funda das emoções.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

QUANDO UM HOMEM SONHA



Amar é mergulhar no sonho inefável onde moram os Deuses. É transpor a linha do horizonte de onde se vislumbra um além que está fora do nosso alcance.
Amar é imaginar-te para além da túnica de cetim que separa o teu corpo dos meus olhos em ânsia. É ver não te vendo porque é mais adivinhar-te. É quase ultrapassar a linha da vida mas é finalmente, subtil, pé ante pé, no silêncio da noite, tocar-te, afagar-te, perder-me em ti, deixar-me afogar nos teus encantos. Amar-te é guardar-te em mim para uma posteridade que não tem limites.

MERGULHO INTROSPECTIVO

MERGULHO INTROSPECTIVO



Às vezes preciso de ir ao fundo de mim, apesar de antemão saber que nunca logro esse objectivo. A dada altura uma estranha névoa estorva-me de ver. Mas o mergulho ai vai, empurrado por uma rajada de confiança em mim.
Ao fim e ao cabo eu quero respostas, as definitivas e, com a névoa na minha frente, o mais profundo que consigo descortinar mora entre Deus e o Absurdo. Via de regra esbarro com uma corda bamba: se Deus existe, repulsa-me o Absurdo; se não existe, tolero-o.
Se o Absurdo se me evidência esvai-se-me a percepção de Deus. Feitas as contas, ou Deus ou o Absurdo.
Mas se o Absurdo existe, na minha cabeça não cabe Deus. Mas com ou sem absurdo, apesar de tudo, Deus impõem-se-me, e vivencia-se-me.
Apesar do Absurdo que possa estorvar-me de apreender Deus, aí eu não estou com contemplações. Impõem-se-me definitivamente mais a necessidade de Deus do que o absurdo do Absurdo.
Rajada pretensamente introspectiva, com pleno respeito por quem pense de forma diversa.

Lucius Antonius

domingo, 24 de outubro de 2010

Amanhã dá sol

Amanhã dá Sol



O sol despede-se na linha do horizonte derramando filigranas feitas fios de ouro num gesto de despedida grandioso mas sereno, como que fazendo crer ao mundo a promessa de um inevitável amanhã. Eclipsados esses últimos raios de sol, aproxima-se a noite pujante de força na aparência sinistra, mas logo ostentando prelúdios de grandeza, porventura de dignidade. Dir-se-ia que esta hora, tornada pouco mais que um instante, é a do ancestral enlace grande e solene do dia que se fez velho com a noite, ingénua donzela. O encanto deste casamento nesta precisa hora acorda os sentidos da menos atenta criatura. É que, é a natureza que fala no seu esplendor maior na hora vivida entre a vida e a quietude. As árvores da alameda dão o seu contributo sem par ao espectáculo que graciosamente se lhe oferece, atirando os seus galhos desnudados para um céu onde se descortina ainda um vago mas incomparável azul. A noite chega portentosa, cobrindo montes e vales, aqui e além contrariada por importunos focos de luz que o homem criou para sua conveniência. Mas a noite também é ou tem no seu cerne o sentido da solidariedade. É então que incumbe a lua de suavizar num rasgo que esbanja poesia a sua proverbial negritude. E assim acontece o milagre do equilíbrio do dia e da noite feitos deslumbramento aos olhos e sentidos do homem. É por isso que vale a pena que ele de quando em vez abra os olhos, apure os ouvidos e afine o pensamento, porque a natureza é sinfonia que vale a pena ser escutada.

Antonius

sábado, 23 de outubro de 2010

Quando demasiada altura

Quando demasiada altura



Subi a árvore da vida e a vida passei a vê-la de cima. Pareceu-me sem medidas tentadora não lhe vislumbrando o fim. Abrem-se-me as portas da ilusão que no férreo rugido dos gonzos matou o tempo. Morto o tempo, um tempo sem fim se escapa em vertigem dos meus olhos de lince. Sem prévio aviso e num instante a árvore agiganta-se e converte-se em altissimo penhasco de onde escorrem as águas que inundam de vida a vida, que no meu ver minguado na lucidez pelas alturas eterniza o tempo que já só me habita a mente. Na medida em que o penhasco se eleva e se afasta da copa da original árvore o orgulho me rói as entranhas e me faz ébrio e portentoso. Quando deslumbrado com a ciência que vai em mim e o infinito que os meus olhos alcançam inusitado pardalejo em voo picado mas de vertigem feito desequilibra a minha criatura quase omnipotente. Caio na sua rota e deslizo na mesma vertigem. Enquanto ele afoito se esquiva das pedras do caminho eu me estatelo moribundo em parcas areias desse mundo sem medidas que prometera ser meu. Morri e não renasci. Concedido me foi um instante para sentir a imprudência a que me entreguei.

Antonius

Algo de mim

Algo de mim

...Eu sou o meu amanhã somado ao tempo que me ficou para traz.
Eu sou aquele pedaço de mim que sobrou na voragem dos indecifráveis vermes que moram por dentro do meu ser. Sobretudo sou aquela franja de amor que sobrou do infinito amor que desfiz em ti. Ao ser isto sou coisa que já valeu a pena, areia do deserto gota de matinal orvalho, letal vírus por desventura, sopro de vida, mas também inalação do cheiro de violeta vindo de ti,  porque de ti exumado, do teu corpo de sereia nascido de um sonho que prometeu e foi fecundo e ainda que moribundo um novo Perseu deu à luz.
            Rendo-me a ti, aos teus encantos, ao teu deslumbre, à tua graça, ao teu sorriso, à doce criatura que sei que és, ao teu norte, à elegância do teu porte, inelutávelmente àquilo, aquela, que me foi dada em sorte. Há tempos de privilégio.

Antonius

sábado, 4 de setembro de 2010

Lhasa de Sela



LHASA DE SELA

Há dias em que a musica vem dos céus, lá do infinito, das bandas de lá da via láctea. Esta noite apesar de escura como breu, é um desses dias. O escuro da noite só é quebrado pela luz que envolve com enlevo esguia nuvem. Luz que vem da lua e que nesta noite não vê mais e não assesta mais a sua luminosidade do que nessa nuvem quase resplandecente, que langorosamente percorre o céu, como que levando longínquo destino. Enquanto isto uma mãe devora com frenesim os textos do livro da morte do Pensamento Tibetano. Esta mãe interroga-se sobre o nome inspirado a dar a sua recém nascida filha, apesar das suas eventuais incursões num mundo interdito do «canabis», tem sonhos de esperança em relação ao fruto do seu amor. Esse fruto cresce e floresce e o nome que a mãe lhe deu rebuscado no Tibetano mundo é Lhasa. A menina cedo conhece a razão do seu nome e a ele se afeiçoa e descobre a música, e descobre o canto, e encanta quem a escuta na sua voz angélica, cristalina, como que a anunciar edénica fonte. Subitamente e em pleno alvorecer de uma caminhada que prometia ser um cântico à vida, silencia-se e é definitivo esse silêncio.
Lhasa de Sela percorre nesta noite o céu envolta naquela divinal nuvem que não tem fronteiras, ainda que ela, Lhasa, cante , e eu escuto-lhe nesta hora o canto de apologia à fronteira. Não à fronteira politica, mas ás fronteiras que culturalmente distinguem e promovem os povos numa onda de amor universal.
Lhasa de Sela amava a vida e cantava-a de forma inigualável. A sua voz chega-me agora do céu, daquela nuvem diferente que desaparece ao longe e parece ter por destino o infinito.

LuciusAntonius

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Canto à Galícia



Canto á Galícia

Se tivesse o génio do poeta – que sentir julgo tê-lo quanto baste – crê, oh Pontevedra, que eras para mim fatal tema de inspiração. Um hino de gratidão jorraria do meu estro, de homenagem à cidade que és para mim.
Tens uma história diferente para me contar. Nas tuas vielas muitas vezes centenárias, ecoam ainda velhos passos que foram os meus. Há ressonâncias do meu passar – do nosso passar – num tempo – fugaz tempo – em que a felicidade morava à minha porta. Um tempo, sempre lesto como o vento, em que o sonho estava feito uma realidade que prometia eternizar-se na ingenuidade que nos acompanha quando caminhamos pelo lado de cima da vida.
O granito fez-se jóia nas frontarias das tuas casas apalaçadas, nas tuas igrejas medievais, no lajedo das tuas calçadas. Santa Maria Maior, S.Francisco, La Pelegrina –Oh, la Pelegrina - na inconfundível Plaza Mayor (ou como tal considerada) da velha cidade, onde as crianças e as pombas se confundem no fim da tarde de todos os dias –que esse é o espírito da tua gente.
Vetusta cidade das Rias Bajas, prenuncio de fim de caminhada para quem, vindo de Sul, demandava Santiago, vibra ainda na minha lembrança o tanger grave dos sinos na tua madrugada, enchendo-te de poesia a noite – acalentadora mensagem a harmonizar todas as coisas, a falar-me de outras terras, da minha terra, das gentes que passaram já por estes e outros caminhos integrando o cortejo da vida. Sinos que me falaram num verbo envolvente e universal.
Não sei se volto a ver-te Pontevedra. Nem sei mesmo se quero voltar a ver-te. Prefiro talvez que fiques a morar no mundo das minhas recordações muito caras. Só assim – julgo – continuam a chegar até mim as vibrações e a poesia dos sinos de uma noite que quero perene.
Até sempre, Pontevedra.